É possível ser um atleta vegetariano?

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Uma das coisas que mais ouvi quando declarei ter me tornado vegetariano, é sobre como eu sobreviveria sem proteínas, e como as substituiria. Muitas vezes é engraçado ver o terror instaurado com esta questão. Fica evidente no rosto das pessoas a ideia que eu me tornarei mais fraco e debilitado que os outros. Imagine o quanto deve espantar quando um esportista se declara vegano, ou vegetariano? Com o alto nível esportivo de hoje, parece impossível que alguém com uma rotina de muito treinamento não siga a famosa dieta do “frango grelhado com batata-doce”, ou deixe de se alimentar de carne, peixe e ovos. Parece impossível, mas não é. Hoje em dia existem atletas assim.

O debate mais recente sobre os atletas vegetarianos se deu neste ano, nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Um dos esportes que mais se exige força muscular é o levantamento de peso. Neste esporte, o atleta tem algumas chances de levantar alteres que ultrapassam em mais de três vezes o seu peso. Um destes levantadores é o atleta americano Fendrick Ferris. Ferris, um vegano assumido, levantou nas classificatórias para as Olimpíadas 377 kg, batendo o recorde americano na categoria até 94 kg.

Ferris tomou a decisão de ser vegano após o nascimento de seu filho, em 2014, e declarou no twitter que sua vida mudou para melhor. Pela forma com que os alimentos são produzidos, e o custo de vida destes animais, o americano escolheu deixar a carne e seus derivados, e ele mesmo declara que seu rendimento melhorou. Para suplementar a alimentação, Ferris diz que estuda os alimentos que deve consumir até conseguir a porção necessária de proteínas para seu corpo, e os êxitos desta mudança de vida podem ser vistos nas duas medalhas de ouro que ele conquistou nos últimos jogos panamericanos.

Kendrick Ferris não foi o único vegano nas Olimpíadas, também marcou presença a famosa tenista americana, pentacampeã de Winbledom, Serena Williams. Junto da sua irmã Venus, outra campeã, elas adotaram a dieta vegana em 2012, e juntas tem inúmeros títulos em Grand Slams. Somados aos três americanos, também participou desta olimpíada a famosa “rainha das maratonas extremas”, Fiona Oakes. A maratonista britânica se tornou vegetariana aos seis anos de idade, e na adolescência deu mais um passo, tornando-se vegana. Atualmente Fiona é considerada a mais rápida maratonista em todos os continentes, mais o Polo Norte e Ártico. Fiona conscientiza as pessoas do quão benéfico é ter uma vida saudável realizando as maratonas difíceis, eliminando a cultura popular do “vegano fraco”.

Existe uma grande lista de outros atletas no mundo que são vegetarianos e veganos, o que deixa claro que é possível ter alto rendimento esportivo sem precisar consumir carne e seus derivados. A natureza foi criada perfeitamente para suprir todas as nossas necessidades, sem precisar do uso da carne. O costume popular de associar a dieta vegetariana com fraqueza e anemia, cai por terra quando vemos o exemplo destas pessoas que superam os limites do corpo sem precisar de proteína animal. Uma das respostas que apaga qualquer terror nos outros quando falo do vegetarianismo é a mesma resposta que Ferris dá: eu me sinto muito melhor depois desta mudança. Parece slogan de outdoor, mas é a pura verdade, que só sabe quem escolhe este estilo de vida. Esta escolha faz toda a diferença, quer você seja um esportista, quer seja uma pessoa comum. Por mais disputas que vençam, ou prêmios que ganhem, escolher uma vida saudável é o que realmente fazem deles verdadeiros campeões.

Assinatura_Eduardo

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