“Nada além deste maná”: o povo israelita moderno – por Tháles Oliveira

Uma das maiores dificuldades de qualquer ser humano é se adaptar a uma mudança. Mudar é um processo árduo, doloroso, que requer não só coragem mas também força para lutar contra a própria vontade. Um dos maiores fatores que enfrentamos, talvez, é a saída de nossa zona de conforto.

Por exemplo: sabemos que o propósito de Deus para nossa vida (cada caso no tempo que Deus assim determinar, claro) é que saiamos das cidades e que façamos morada nos campos. E talvez até gostemos e queiramos realmente ir para o campo (isto é, temos a vontade e talvez até a coragem de ir), muitas vezes até clamamos por isso. Porém, todos nós sabemos que isso requer grande mudança, não só fisicamente por ter de ir para uma nova casa, mas uma mudança psicológica e também de grande impacto espiritual. Isso faz com que pensemos: “Conquistei minha atual moradia com muito esforço e bem agora que estou me estabilizando tenho de ir para o campo? Isto é loucura!”

Vários são os fatores que fazem pensamentos como esses vir a nossa mente, porém, gostaria de ressaltar dois deles e chamar atenção de você, caro(a) leitor(a), para refletir sobre isso junto comigo. Os dois principais fatores para isso são: velhos costumes e falta de fé. E o que o título deste artigo tem com isso? É o que iremos descobrir ao analisar um relato muito interessante e cheio de lições.

Velhos costumes

Analisando a jornada de Israel rumo a Canaã encontramos várias lições. Deus frequentemente realizava milagres e maravilhas perante os Israelitas, quer fosse para livrá-los dos perigos ou para ensiná-los a depender somente dEle. Deus os guiava por meio da nuvem durante o dia, e por meio do fogo durante a noite (Êxodo 40:38).

Mas, ainda sim, o povo murmurava continuamente contra Deus devido ao caminho difícil do deserto. Uma das principais murmurações do povo era em relação ao maná, o alimento que Deus proveu para eles.

No livro de Números, capítulo 11 e versículo 6, há: “Mas agora a nossa alma se seca; coisa nenhuma há senão este maná diante dos nossos olhos.”

O maná era o pão do Céu (Salmo 105:40; Salmo 78:25) e representava o próprio Cristo, portanto, essa murmuração do povo era muito grave e demonstrava que eles estavam rejeitando o próprio Cristo. Por que essa rejeição? Velhos hábitos! Israel clamava a Deus enquanto estava no Egito por auxílio e livramento da opressão sofrida, queriam ver o  cumprimento da promessa de Deus a Abraão. Porém, ao mesmo tempo, se contaminaram com as “panelas de carne do Egito” (Êxodo 16: 3) e agora não estavam dispostos a enfrentar o caminho estreito que conduzia à Terra Prometida. Notam a similaridade? Queremos ir para o Céu, mas sem que isso ocasione mudanças muito drásticas em nossa vida e que, de preferência, possamos levar nossas “panelas de carne do Egito” conosco! Quaisquer que sejam (alimentação, entretenimento/diversões, vestuário, costumes, etc.), elas todas representavam o mundo que ainda está dentro de nós.

Falta de fé

Na primeira carta aos Coríntios Paulo nos adverte sobre esses mesmos erros que o povo de Israel cometeu, para que não venhamos a cometê-los novamente:

“Ora, estas coisas nos foram feitas para exemplo, a fim de que não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram. Não vos torneis, pois, idólatras, como alguns deles, conforme está escrito: O povo assentou-se a comer e a beber, e levantou-se para jogar. … Ora, tudo isto lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para nossa admoestação, para quem já são chegados os fins dos séculos.” (1 Coríntios 10: 6-7, 11)

Ao murmurar contra Deus devido aos velhos hábitos, Israel recusava a Deus e o suprimento que Ele provia. Assim, rebelaram-se e demonstraram falta de fé no plano divino. E aqui devemos refletir: não estaríamos nós fazendo o mesmo? Até que ponto temos confiado em Deus e, pela fé, confiado em Suas promessas? Temos realmente fé no sacrifício que Cristo fez por nós ou estamos (seja pelas  atitudes ou pensamentos), diariamente, reclamando que Deus não nos dá “nada, além deste maná” a cada manhã? Deus provou o povo no deserto para saber o que estava em seu coração (Êxodo 8: 2) e eles escolheram o caminho da incredulidade. Por isso é importante que tenhamos não só a fé em Jesus, mas também a fé de Jesus! Este seria um sinal do povo de Deus no fim dos tempos (Apocalipse 14: 12) e devemos orar a Deus, estudar Sua palavra, esquadrinharmos o coração e pregarmos o evangelho para que alcancemos, pela fé, a salvação.

Vencendo

Deus disse no início: “haja luz” e o que ocorreu? Houve luz. Deus disse: “produza a Terra erva verde” e a Terra produziu erva verde. E Deus diz a cada um de nós: “Sede perfeito.” (Gênesis 17: 1). O que isso significa? Que tudo aquilo que Deus diz, é possível de ser realizado. Se tratando a nós, não é diferente! Deus não invade nosso livre arbítrio e quer que sejamos à Sua semelhança por amor e não por força. Está disposto a encarar o desafio e mudar a cada dia? Seja na mudança para o campo, na alimentação, no caráter ou qualquer outro “deserto”: o caminho é estreito, mas a recompensa é certa… “aquele que perseverar até o fim, será salvo”. Lembre-se: é sua saúde, sua vida, sua escolha.

Por Tháles Oliveira – Mudança de Escolha

Gostou deste conteúdo? Então assista o nosso mais novo vídeo...