“Que seu remédio seja seu alimento”

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A famosa frase de Hipócrates, o “pai da medicina”, que intitula esta postagem, revela uma grande verdade: a comida está intimamente relacionada com a saúde. Eu já sabia que o alimento afetava o corpo, pois foi depois que parei de usar leite e derivados que minha rinite se foi. Foi depois que melhorei minha alimentação também que me curei de uma esofagite. Mas eu não imaginava que o que eu comia tivesse algo a ver com a tal da depressão. Felizmente, com a ajuda do Dr. Neil Nedley, entendi melhor esse princípio de saúde e decidi me tornar vegetariana de fato, há cerca de quatro anos.

Nas postagens “Arrancando o mal pela raiz” e “Ninguém está condenado à depressão perpétua”, conhecemos os fatores não modificáveis da depressão. Agora vamos nos concentrar nos fatores modificáveis, começando pela nutrição. Alguns indivíduos são mais suscetíveis a esse fator do que outros. É importante, portanto, analisar a alimentação em conjunto com as outras causas possíveis.

Há cinco elementos nutricionais em especial que afetam a saúde mental: serotonina, ômega 3, ácido fólico, vitamina B12 e proteínas. A serotonina é um neurotransmissor produzido em maior quantidade no lobo frontal do que em outras partes do cérebro. Quando um indivíduo está deprimido, o fluxo sanguíneo e a atividade do lobo frontal diminuem, consequentemente reduzindo o nível de serotonina. Aumentar o nível de serotonina, portanto, é um dos tratamentos para a depressão. Uma das formas de fazer isso é aumentar a ingestão do aminoácido triptofano, que ajuda a sintetizar a serotonina. Tofu, sementes de abóbora, sementes de gergelim, amêndoas, nozes, feijão-fradinho e banana, nessa ordem, são algumas das melhores fontes de triptofano, muito melhores do que o leite de vaca.

A dieta deficiente em ômega 3 também pode aumentar o risco de depressão. Geralmente pensa-se que o peixe é a melhor fonte desse ácido graxo, mas, na verdade, ele só contém bastante ômega 3 porque se alimenta de algas marinhas. Ou seja, o ômega 3 do peixe é de segunda mão. A fonte original é vegetal. Além disso, o peixe hoje em dia não é nada confiável porque concentra toxinas das águas contaminadas, podendo causar lesões cerebrais e nervosas especialmente em fetos e crianças, câncer, doença cardíaca, elevados níveis de colesterol e triglicérides e até mesmo hipertensão, arteriosclerose, diabetes e infertilidade masculina. Pra que correr esse risco? Prefira fontes vegetais de ômega 3, como linhaça, amêndoas, nozes, nabo, banana, batata-doce, maçã, pepino. Destas, a linhaça é, de longe, a fonte mais rica de todas.

Já é bem conhecido o fato de que a deficiência de ácido fólico pode provocar má formação no feto. O que não se divulga muito é sua relação com a depressão e até mesmo com o mal de Alzheimer. Segundo o Dr. Nedley, a deficiência dessa vitamina do complexo B é mais comum em consumidores de carne do que em vegetarianos, porque é muito mais fácil obter o valor diário necessário de 400 mcg de ácido fólico em fontes vegetais, como grão-de-bico, feijão-fradinho, lentilha, quiabo, feijão-branco, espinafre e laranja, do que na carne.

Outra vitamina do complexo B fundamental para o bom funcionamento do sistema nervoso é a B12. Se você está com a coordenação motora ruim, esquecimento e/ou depressão, pode ser que esteja com deficiência dessa vitamina. Embora sua carência seja comumente associada com a dieta vegetariana, pois não existem fontes vegetais de B12, é muito comum encontrar carnívoros com deficiência da vitamina. A razão para isso é que não basta ingerir quantidades suficientes de B12. É preciso que a absorção dessa vitamina, que é muito complexa, seja boa. Por isso, recomenda-se a suplementação da B12. Eu, por exemplo, passei alguns meses usando diariamente um suplemento de 1.000 mcg dessa vitamina, mas continuei com a B12 baixa. Precisei aumentar a dose. Já para a minha filha, de seis anos, uma dose semanal de 1.000 mcg foi suficiente para aumentar o índice de B12. Evidentemente o corpo dela absorve melhor a vitamina do que o meu, o que é comum, pois a tendência é perder um pouco da capacidade de absorção do estômago com o passar dos anos. Para saber mais sobre o assunto, clique aqui.

O excesso de proteína animal também pode contribuir para a depressão, pois contém em excesso cinco aminoácidos que competem com o triptofano. Além disso, pode promover a puberdade precoce em meninas e aumentar o risco de câncer, cálculos renais, osteoporose e outras doenças crônicas, que por sua vez aumentam o risco de depressão. O mais seguro, portanto, é substituir a proteína animal. Clique aqui para saber como.

Nas próximas postagens, continuaremos apresentando possíveis causas de depressão. Fique de olho…

E lembre-se: “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus.” (1 Coríntios 10:31)

 

Referência

NEDLEY, Neil. Como sair da depressão. Tatuí: Casa, 2010.

 

Assinatura_Marily

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