Como ter filhos bem educados? (parte 2)

Na primeira parte deste artigo, compartilhei com você três aspectos que tenho aprendido ser fundamentais para cumprir com sucesso a missão de criar filhos bem educados: guardar as avenidas da alma, protegendo assim ao máximo nosso lar da influência do mal; ter harmonia entre os pais em todos os aspectos relacionados ao lar, assegurando com isso o respeito e equilíbrio emocional dos filhos e, por fim, estabelecer uma rotina familiar fixa, que segundo a educadora cristã norte-americana Cinda Osterman, bastaria para solucionar 50% dos problemas comportamentais dos filhos.

A seguir, compartilho com você mais três aspectos muito importantes:

1. Temperança: 

Ao contrário do que muitos imaginam, o termo temperança não engloba apenas a alimentação, mas também outras áreas como descanso, exercício físico, ingestão de água, escolha correta do vestuário e assim por diante, tendo sempre em vista a preservação da saúde física, mental e espiritual.

Um dos grandes vilões do mal comportamento das crianças é a falta de temperança nos aspectos citados acima, ou seja, horário desregrado e/ou inapropriado de sono, pouca ingestão de água, vestuário incorreto (apertado ou impróprio para o clima e para as atividades), pouca ou nenhuma atividade física e, pior, alimentação prejudicial e/ou em excesso. Os pais devem prestar atenção em todos esses aspectos e assegurar que tudo seja feito com temperança.

A alimentação sem dúvida deve receber uma atenção especial, pois ela influencia diretamente o comportamento. Alimentos açucarados, gordurosos, industrializados e artificiais apenas contribuem para o prejuízo da saúde e para o descontrole emocional. Adultos e crianças que se alimentam assim em geral são nervosos, hiperativos, irritados e apresentam dificuldade para se concentrar. Além da qualidade do alimento, é importante prestar atenção também na quantidade. Não basta ser alimento saudável, é preciso comer de forma temperante. Comer em excesso e/ou várias vezes ao dia, mesmo que seja um suco ou uma fruta, também pode gerar distúrbios comportamentais e prejudicar a saúde, já que esse mau hábito priva o corpo de seu merecido descanso, sobrecarregando o sistema digestório e o sistema nervoso.

Segunda a Dra. Agatha Thrash, médica norte-americana, bebês e crianças devem ser alimentados em horários fixos e regulares. Além disso, a partir de 12 meses a criança já está preparada fisicamente para receber apenas 3 refeições diárias. Isto é, se lhe forem oferecidas refeições nutricionalmente equilibradas e compostas por alimentos integrais, naturais e de qualidade. Essa orientação humana apenas reforça uma orientação que há muito tempo Deus Se preocupou em nos deixar:

“A primeira educação que os filhos devem receber da mãe, logo na infância, deve dizer respeito a sua saúde física. Deve-se-lhes permitir tão-somente alimento simples, da qualidade que os preserve nas melhores condições de saúde, e esse alimento só deve ser tomado em períodos regulares, não mais do que três vezes ao dia, e duas refeições seria mesmo melhor do que três. Se as crianças forem disciplinadas devidamente, logo aprenderão que nada conseguirão com choro e irritação. A mãe judiciosa procederá, na educação dos filhos, não meramente com vistas ao seu conforto presente, mas visando seu bem futuro. E para esse fim ela ensinará aos filhos a importante lição do controle do apetite, e da abnegação: que devem comer, beber e vestir-se tendo em vista a saúde” (Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, v. 2, p. 439).

Muito acima das práticas comuns, está a orientação de Deus. Ele sabe o que é melhor e se importa com o nosso bem-estar. Vale a pena seguir os Seus conselhos, pois os maiores beneficiados somos nós mesmos (e nossos filhos)!

2. Envolvimento nos deveres domésticos:

Envolver os filhos nas tarefas domésticas é ensina-los a fazer parte de uma equipe chamada família em que todos os membros são convidados a colaborar para o bem-estar comum. Em geral, as crianças amam ajudar e imitar os pais e não encaram isso como um trabalho, mas como momentos agradáveis e prazeirosos.

Via de regra, porém, os próprios pais é que são os responsáveis por não nutrir esse prazer inato da criança de ajudar ao próximo. Por vários motivos, incluindo a pressa de concluir os afazeres, os pais evitam convidar os filhos para participar das tarefas. Erroneamente consideram a participação dos filhos como um “atraso” ou um teste quase insuportável de paciência. É verdade que a participação de filhos pequenos nas tarefas domésticas exige paciência, criatividade, tato, disposição e vários minutos a mais do que se levaria sem eles, mas perder essa oportunidade é contribuir para criar filhos egocêntricos, preguiçosos, destreinados para a vida e alheios às necessidades exigidas para o bem-estar comum.

A participação dos filhos nas tarefas domésticas pode e deve ser atraente e alegre. Os pais são os responsáveis por favorecer uma clima assim. A participação pode começar desde cedo com tarefas simples que a criança tenha prazer em realizar. As responsabilidades podem ir aumentando conforme a idade e as habilidades permitirem.

Algumas sugestões de atividades domésticas que filhos pequenos em geral gostam muito de se envolver são: AJUDAR a fazer alguma receita especial, a selecionar vegetais, a aguar as plantas, a ensaboar e enxaguar louças que não ofereçam perigo, a mexer no jardim ou horta, a tirar pó, a organizar as frutas na fruteira, a arrumar a mesa para a refeição, a colocar a roupa suja na máquina, a cuidar do bichinho de estimação e por aí vai.

Enquanto pais e filhos realizam tarefas assim juntos, os pais podem ensinar valiosas lições de forma lúdica e divertida. Por exemplo, ao colocar a roupa na máquina, as cores já podem começar a ser identificadas. Ao selecionar vegetais, os pais já podem demonstrar na prática a importância de discernir entre o que é bom e o que é ruim. Ao organizar as frutas na fruteira, já surge a oportunidade para uma lição de organização e agrupamento. Ao mexer no jardim ou horta, lições sobre o ciclo da vida já começam a ser extraídas. Enfim, em todas as atividades se pode tirar lições importantes para a vida e para a formação do caráter. Não é à toa que Deus tenha julgado importante enfatizar também esse aspecto da educação através do Espírito de Profecia:

“Na educação doméstica dos jovens, o princípio da cooperação é inestimável. Desde os mais tenros anos as crianças devem ser levadas a entender que são parte da firma doméstica. Mesmo os pequeninos devem ser ensinados a participar do trabalho diário, e cumpre fazer com que vejam ser o seu auxílio necessário e apreciado. Os mais idosos devem ser os ajudantes dos pais, tomando parte em seus planos, e partilhando de suas responsabilidades e encargos. Tomem os pais e as mães tempo para ensinar os filhos, mostrem que apreciam o auxílio deles, desejam sua confiança e gostam de sua companhia; e as crianças não serão tardias em corresponder. Não somente isto suavizará o encargo dos pais, e receberão as crianças um ensino prático de valor inestimável, mas também haverá fortalecimento dos laços domésticos e consolidação dos próprios fundamentos do caráter” (Ellen G. White, Educação, p. 285)

3. Contato com a natureza: 

Depois da Bíblia, a natureza é o maior compêndio em que podemos aprender a respeito de Deus, Seu grande amor e infinito poder. Além de ensinar preciosas lições espirituais e morais, o contato com a natureza também tranquiliza a mente, revigora o físico e sensibiliza o coração.
Crianças com pouco ou nenhum contato com a natureza em geral são agitadas, estressadas e impacientes. Os responsáveis por agravar ainda mais esse estado emocional são os jogos eletrônicos, a televisão e os brinquedos artificiais que os pais oferecem para substituir a falta do natural. Mesmo que o conteúdo e o estímulo desses instrumentos artificiais seja positivo (o que é menos pior), o resultado ainda é um sistema nervoso desequilibrado e um espírito insatisfeito.
Leia a seguir a instrução de Deus sobre essa questão:
“Quanto mais calma e simples a vida da criança, isto é, mais livre de excitações artificiais e mais de acordo com a Natureza, mais favorável é para o vigor físico e mental e para a força espiritual” (Ellen G. White, Educação, p. 107).
Se você ainda mora na cidade e cria seus filhos dentro de um espaço fechado e artificial, saiba que chegou a hora de buscar em Deus soluções para ajustar essa situação. A orientação de criar os filhos em um ambiente natural não veio de um ser humano, mas do próprio Deus. E se Deus achou por bem assim aconselhar, é porque Ele está disposto a conceder sabedoria e condições para colocarmos em prática o que Ele pediu. A nossa parte é decidir, clamar o cumprimento de Sua promessa em nossa vida e estar disposto a ir onde Deus mandar.

Enquanto isso, peça a Deus criatividade e disposição para colocar os filhos em maior contato possível com o meio natural. Faça visitas semanais a um jardim ou bosque, invista em livros e brinquedos simples que estimulem a criatividade e abordem temas da vida natural, interesse-se em conhecer mais sobre a criação de Deus e compartilhe suas descobertas com os filhos. Livre-se ao máximo das excitações artificiais. Elas não contribuem em nada para o bem-estar mental e emocional.

Para ter filhos bem educados é preciso muito mais do que um método apropriado de disciplina, como muitos pensam. É preciso buscar um estilo de vida completamente voltado para esse objetivo e não há estilo de vida melhor para isso do que aquele que o próprio Deus orientou. Aos olhos humanos, pode parecer uma tarefa impossível buscar um estilo de vida assim dentro da sociedade moderna, “mas a Deus tudo é possível” (Mateus 19:26) e Ele está disposto a nos ajudar, a nos dar sabedoria e a nos conceder poder para praticarmos tudo o que for necessário a fim de cumprirmos a missão que Ele nos designou como pais, a missão de educar os filhos para a eternidade.

Por Karina Carnassale Deana – Blog Vida Campestre

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