Cálcio: sua importância e como conseguir numa dieta vegetariana estrita – por Adriano Santos

O tema de hoje tratará sobre a importância do cálcio e como obtê-lo na dieta vegetariana estrita. Todavia, antes de prosseguirmos rumo a este objetivo, gostaria novamente de compartilhar com você mais um testemunho pessoal. Creio que assim fazendo, contribuirei para melhor compreendermos este tema importante, de maneira a eliminarmos alguns mitos em relação às até então conhecidas como únicas fontes de cálcio.

Eu nasci com um problema de ordem genética, na estrutura óssea de ambas as pernas, chamado geno varo bilateral dos joelhos. Minhas pernas tinham levemente o formato de um arco com a fíbula também levemente exposta. Quando criança, meus pais levaram-me ao médico, porém, ele disse que não havia necessidade de se preocupar em relação ao referido problema. No entanto, a medida que os anos avançavam, minhas pernas foram arqueando mais e mais. Com isso, o problema acentuou-se de forma muito notável a partir dos 25 anos. Ao completar 33 anos começaram a surgir dores e desconfortos, até que finalmente tive que submeter-me a três cirurgias para a correção do problema.

A cirurgia a que fui submetido chama-se osteotomiavalgizante proximal de tíbia. Por característica, ela é bem agressiva, pois é necessário serrar praticamente todo o osso. E foi exatamente isso que foi feito em ambas as pernas, na altura da tíbia, um pouco abaixo da rótula do joelho. Na ocasião eu já havia abandonado a carne como alimento. Ainda fazia uso de leite e ovos em minha dieta, porém unicamente em receitas de pratos doces e salgados, e isso de forma cada vez menos frequente, pois estava gradativamente avançando para uma dieta vegetariana estrita. Assim sendo, procurava substituí-los por alimentos do grupo dos vegetais e cereais, que além de serem muito mais ricos em seus nutrientes, são, principalmente, saudáveis. Em razão disso, começaram a surgir alguns questionamentos por parte de alguns médicos e também por pessoas do meu ciclo familiar e conhecidos.

Um dos médicos chegou a dizer que possivelmente o resultado dos meus exames pré-cirúrgicos apresentaria carência de alguns nutrientes importantes ao organismo, dentre eles, a proteína e o cálcio. Fiz os exames, apresentei-os ao médico e, para honra e glória de Deus, estavam ótimos. Não havia carência alguma de nenhum nutriente. Fiz então a primeira cirurgia, e depois de 8 meses fiz a segunda. A terceira intervenção cirúrgica foi para alinhar mais corretamente a perna esquerda, visto que o problema era bem mais notável nela. O detalhe interessante em tudo foram as palavras do médico responsável após o ato cirúrgico. Disse ele: “surpreendi-me com a resistência dos teus ossos”. E recentemente ao fazer novos exames para acompanhamento os quais costumo fazer anualmente, o mesmo médico pronunciou as seguintes palavras: “Tudo está tão bem que nem parece ter havido intervenção cirúrgica”. 

Tratemos agora sobre o cálcio, sua importância e como obtê-lo numa dieta vegetariana estrita.

Um fato bastante interessante é que todos os elementos de que é formado o corpo humano são contidos na terra e provêm da terra. No caso do cálcio, ele é o quinto elemento em abundância na crosta terrestre. Por hora, os cientistas reconhecem 109 elementos químicos diferentes presentes na natureza. Destes, 22 entram na composição de nosso corpo, e são responsáveis por todas as reações que acontecem dentro de nós, desde a respiração, produção de energias até a eliminação dos radicais livres. Tal composição química do corpo humano é de vital importância para o seu bom funcionamento, pois tem um papel essencial na manutenção de nossa vida.

Outro detalhe interessante é que 95% da massa do nosso corpo é formada por 4 elementos: oxigênio, carbono, hidrogênio e nitrogênio. Os demais elementos apresentam-se em quantidade bem  menores, mas não deixam de ser menos importantes por isso. Um bom exemplo é o cálcio, que compõem 1,38% do corpo humano, contudo é um mineral que está relacionado com várias funções do organismo, como participar na coagulação sanguínea, controle hormonal, transmissão nervosa, contração muscular, respiração celular; mas, sua função principal é estruturar os ossos e dentes do nosso corpo.

Quando existe alguma deficiência de cálcio na corrente sanguínea, ocasionada por má alimentação, questões hormonais ou outros motivos, o corpo tende a repor a deficiência retirando cálcio dos ossos, desencadeando, dessa forma, o que podemos chamar de “corrupção interna”; pois o corpo roubará cálcio de um lado a fim de suprir noutro. A deficiência de cálcio pode levar a osteopenia e osteoporose, na qual os ossos se deterioram. Pode causar também agitação, unhas quebradiças, propensão a cáries, depressão, hipertensão, insônia, irritabilidade, dormência no corpo e palpitações. Por outro lado, seu excesso pode ocasionar “pedras” no rim, anorexia, dificuldade de memorização, depressão, irritabilidade e fraqueza muscular.

No início de nossas vidas, temos o leite materno como única e principal fonte de cálcio. Mas com o aumento da idade, é preciso encontrar outras fontes que nos supram a necessidade deste mineral. Em geral predomina a ideia de que as principais fontes de cálcio provêm do leite e seus derivados, e que o cálcio presente nestes produtos são mais bem aproveitado pelo organismo do que o contido nos vegetais. Este conceito está tão arraigado na sociedade que a maioria das pessoas tem dificuldade em aceitar a ideia de que é possível ter ossos saudáveis sem o consumo de laticínios. Todavia, o fato é que o cálcio não é exclusividade do produto secretado pelas glândulas mamárias dos animais mamíferos.

A verdade é que os vegetais oferecem um cálcio de primeira linha o qual é bem mais absorvido e utilizado pelo organismo do que o cálcio contido no leite e seus derivados. Inclusive, isto é demonstrado por muitos estudos científicos. Isso significa dizer que, quando a ingestão se dá em quantidade adequada, variada e equilibrada, a qualidade do cálcio vegetal não deixa nada a desejar em relação ao cálcio de origem animal. É importante ressaltar também que quando optamos por ingerir o cálcio a partir de fontes vegetais, estamos optando por ingerir alimentos que são também boas fontes de ferro, fibras e outros nutrientes importantíssimos e indispensáveis ao organismo e que não são encontrados nos laticínios.

Assim sendo, é de fundamental importância também atentarmos ao fato de que para o cálcio ser absorvido é preciso que o organismo esteja suprido com as vitaminas D e K. O Sol é a melhor fonte para obtenção de vitamina D, que ajuda na fixação do cálcio, lembrando que a exposição solar benéfica é até as 10 horas da manhã ou então depois das 4 horas da tarde. Os exercícios físicos que envolvem impulsionamento, como por exemplo, caminhada, contribui para a fixação de cálcio nos ossos. Especialmente na adolescência (até os 22 anos), já na idade adulta os exercícios mantêm e podem aumentar a massa óssea em 1 ou 2%.

Fora os laticínios, as fontes de cálcio incluem cereais, soja e derivados, feijões, brócolis, couve, agrião, alface, aveia, milho, amêndoas, figos, salsa, salsão, beterraba, batata doce, repolho, espinafre, frutas cítricas ervilhas, algas, sementes de gergelim (tahine) e folhas de nabo longo. Os alimentos vegetais em geral são rica fonte de bicarbonato de potássio, que aumenta a retenção de cálcio. Mas uma grande opção para obter cálcio é através do consumo de “leites vegetais”, feitos de sementes como o gergelim e o girassol, de grãos como a aveia e o arroz e de castanhas, como a amêndoa e a castanha-do-pará.

 “Façamos progresso inteligente na simplificação do nosso regime alimentar. Na providência de Deus, cada país produz artigos de alimento contendo os nutrientes necessários para a construção do corpo. Esses produtos podem ser transformados em pratos saudáveis e apetitosos. Misericordiosamente tornou Ele o caminho da natureza perfeitamente seguro, amplo bastante para todos quantos nele quiserem andar. Deu-nos para sustento os produtos da terra, nutrientes e saudáveis.”

Lembre-se: Todos os nossos hábitos devem ser educados em harmonia com as leis naturais.

Referências

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BALBACH, Alfons. …e a Vida Continua? 2ª. ed. São Paulo: Editora Missionária A Verdade Presente, 1986.

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WHITE, Ellen G. Medicina e Salvação. 3ª ed. São Paulo: Casa Publicadora Brasileira.

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Por Adriano Santos – Harmonia com as leis naturais

 

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