Como alimentar bem sua família (incluindo o bebê) fora de casa

Para o vegetariano estrito, alimentar-se bem durante viagens longas sem ficar na mesmice ou abrir exceções é um verdadeiro desafio. No artigo Saiba como se alimentar bem fora de casa compartilhei algumas sugestões de como realizar essa proeza. Na ocasião em que esse artigo foi escrito, minha filha ainda não comia papinhas. Assim, minha preocupação na época com relação a ela era apenas arranjar meios de preparar o substituto 100% vegetal e saudável para o leite materno ao passar longos períodos viajando. Neste ano, acompanhando meu esposo em uma viagem a trabalho, passamos novamente um longo período fora de casa. A diferença é que desta vez também tive que me preocupar com a alimentação da minha filha, já que agora, além do leite vegetal, ela também come comida. Neste artigo, portanto, compartilho com você a experiência que tive ao buscar alimentar bem meu bebê fora de casa – e o maridão também, claro!

Nossa viagem durou praticamente 4 semanas. Passamos por algumas cidades do Espírito Santo e Ceará. Por conta da distância, o trajeto teve que ser feito de avião, o que limita bastante a bagagem. Como o espaço na mala desta vez estava bem concorrido, não pude levar todos os itens que costumo levar em viagens longas. Assim, tive que optar pelos itens que considero essenciais em minha cozinha improvisada no quarto do hotel. Além de roupas, produtos de higiene pessoal, sapatos, livros e brinquedos, arranjamos lugar também para:

  • 1 fogão elétrico de duas bocas (extremamente útil e compacto)
    Máquina de fazer leite vegetal
  • 1 liquidificador (pode ser mixer)
  • 1 máquina de fazer leite vegetal (vale a pena o investimento. Só não serve para fazer o substituto do leite materno, mesmo assim é muito útil)
  • 1 panela de inox média (sim, eu levei minha panela para viajar!)
  • 1 panela de inox pequena
  • 2 panos de prato
  • 1 mini-ralador
  • 1 faca afiada
  • 1 jarra plástica
  • 1 furador de coco (o que não se carrega para alimentar bem os filhos!)
  • 1 coador de pano (muito útil para coar o leite vegetal)
  • 1 pratinho e colher próprios para a minha filha

Nos espacinhos que sobraram, levei os seguintes ingredientes que em geral são bem mais caros em supermercados tradicionais ou difíceis de encontrar:

  • Semente de chia
  • Tahine (creme de gergelim)
  • Castanhas (amêndoa e macadâmia)
  • Quinoa em grão
  • 4 pães 100% integrais (esses foram bem embalados na bolsa de mão – muito preciosos em uma ocasião dessas para correrem o risco de serem amassados!)

No dia da viagem de avião, coloquei na malinha da minha filha os ingredientes para a papinha para viagens. Estávamos no ar no horário de ela comer – e ela achou o máximo comer olhando pela janelinha. Não demorei nem 5 minutos para preparar, apesar de ter tido que amassar a banana com a colherzinha, pois a INFRAERO não permite garfos na mala de mão.

Ao chegarmos, não foi possível passar no supermercado para comprar os ingredientes para o almoço. Analisando o cardápio do hotel, não pude encontrar nada, a não ser feijão, para minha filha e eu comermos (nessas viagens, meu esposo geralmente passa o dia fora). Entrei em contato com a cozinheira e educadamente perguntei que temperos ela costumava colocar no feijão (nesses locais, bem como em restaurantes, é muito comum temperar os alimentos com glutamato monossódico, banha suína, etc.). Ela gentilmente informou que usava apenas alho, mas que fritava no óleo antes de acrescentar ao feijão e que todo feijão disponível já estava temperado assim. Disse, porém, que poderia fazer uma sopa de ervilha com legumes sem tempero para eu temperar no quarto (eu tinha levado um pouquinho de sal marinho na mala – ufa!). Graças a Deus, deu certo e minha filha eu aprovamos a sopinha, que combinou muito bem com o pão que levamos na mala.

Assim que tivemos oportunidade, fomos ao supermercado para comprar nosso kit sobrevivência (e que kit!):

  • Sal marinho
  • Arroz integral
  • Aveia
  • Gérmen de trigo
  • Feijão
  • Lentilha
  • Grão de bico
  • Ervilha
  • Soja (encontrei no mercado uma não transgênica)
  • Suco de uva 100% integral sem adição de açúcar ou conservantes
  • Mel
  • Geleia 100% natural sem adição de açúcar ou conservantes
  • Farinha de trigo integral (para fazer pão depois que o nosso acabasse)
  • Fermento biológico
  • Água mineral
  • Azeitona
  • Tomate seco
  • Macarrão integral
  • Molho de tomate (existem algumas marcas cujos ingredientes são apenas tomate e sal)
  • Farinha de milho
  • Temperos verdes (orégano, manjericão, etc.)
  • Bicarbonato de sódio (para higienizar os vegetais)
  • Frutas
  • Legumes
  • Coco verde
  • Guardanapo
  • Esponja
  • Sabão

Nessa viagem, passamos por cinco hotéis diferentes. Todos eles gentilmente nos forneceram os pratos e os talheres e não precisamos nos preocupar com isso.

A seguir, compartilho com você alguns pratos que preparei nesse período:

Papinha de creme de grão de bico, arroz integral e legumes
Na máquina de fazer leites vegetais, preparei leite de grão de bico, mas como não coei, ficou parecendo um creme. Cozinhei arroz integral e legumes, amassei e misturei com o creme. Ficou uma papinha bem gostosa. Meu esposo e eu também entramos na dança e comemos a papinha na versão para adultos – sem amassar!

Sopa de aveia, leite de soja e legumes
Cozinhei aveia, tomate e abobrinha picada no leite de soja feito na máquina. Temperei com temperos verdes e sal. Ficou saboroso! Para quem não tem a máquina de fazer leite, pode fazer com água mesmo que fica bom. Só não se esqueça de incluir, nesse caso, uma castanha ralada para a papinha ficar equilibrada.

Patê de resíduo de amêndoas
Com o resíduo que sobra do leite vegetal que preparo para a minha filha (clique aqui para conhecer), fiz um patê para comermos no desjejum. No liquidificador, coloquei o resíduo, sal, limão, manjericão, azeitona e leite de soja que fiz na máquina. Bati tudo até obter a consistência de patê. Ficou gostoso!

 

Creme de ervilha com tomate
Deixei as ervilhas de molho de um dia para o outro. Cozinhei com tomate, sal e temperos verdes. Bati no liquidificador até ficar um creme e servi com pão e patê de resíduo de amêndoas. Hummm… gostamos bastante desse prato!

Sagu de semente de chia
O sagu de semente de chia é muito simples de preparar (clique aqui para saber como). Preparei várias vezes essa receita durante a viagem para comer com frutas. Minha família gosta bastante.

 

 

Mingau de arroz integral, castanha e frutas
Na máquina de fazer leite, preparei um mingau à base de arroz integral e castanha. Para a minha filha, amassei banana e mamão e acrescentei o mingau. Ela raspou o prato. Para nós adultos, piquei as frutas, acrescentei o mingau e um pouco de mel. Para quem não possui a máquina, também é possível fazer o mingau de arroz integral. Para isso, basta cozinhar o arroz normalmente (sem tempero, apenas com uma pitada de sal) e depois bater no liquidificador com o leite vegetal de sua preferência. Outra opção de mingau também, é o famoso mingau de aveia, que combina muito bem com frutas.

Almoços especiais
Chamamos de almoços especiais aqueles que realizamos aos sábados, que para nós é um dia muito especial. Durante a viagem, fizemos quatro almoços assim, mas registramos apenas três. Esses almoços em si foram simples, mas o fato de estarmos em família e termos um dia dedicado para a comunhão com Deus, livres das preocupações do cotidiano, torna tudo mais especial, mesmo uma comidinha simples.

No primeiro almoço especial, os pratos principais foram:

  • Arroz integral
  • Feijão fradinho (fácil de cozinhar sem pressão)
  • Pão integral
  • Fruta pão cozida (para quem não conhece, o sabor assemelha-se ao da mandioca, mas a textura lembra a de batata – uma delícia!)

Para incrementar a fruta pão (para ficar que nem aquelas batatas recheadas), colocamos à mesa também:

  • Tomate seco
  • Alcaparras
  • Azeitona
  • Patê de alcachofra (encontramos uma marca excelente cujos ingredientes são apenas alcachofra e azeite extra virgem)
  • Patê de resíduo de amêndoas

De sobremesa, tivemos:

  • Sagu de semente de chia
  • Uva

Talvez você pense que esse almoço tenha saído caro por conta de alguns ingredientes nobres que escolhemos. Mas fazendo as contas, descobrimos que o valor total do nosso almoço (considerando apenas a comida que colocamos no prato) foi de R$17,00. Se tivéssemos ido a um restaurante simples da região, teríamos desembolsado R$20,00 por pessoa, isso para comer arroz branco, feijão e salada (únicas opções para um vegetariano estrito). Se tivéssemos ido a um restaurante mais requintado, teríamos gastado R$30,00 por pessoa para comer alguns itens a mais. A intenção em comer no quarto não foi economizar, mas comer bem. No final, porém, pela graça de Deus, conseguimos as duas coisas!

O segundo almoço especial foi bem mais simples que o primeiro, mas como disse, mesmo sendo simples, sempre é especial. O menu daquele sábado foi:

  • Farinha de milho temperada
  • Feijão fradinho
  • Pão integral
  • Patê de tomate seco
  • Uva

Já o terceiro, foi a La Itália com um toque cearense. Como prato principal, tivemos:

  • Macarrão integral
  • Molho de tomate com manjericão e castanha de caju
  • Azeitonas

Para sobremesa, comemos doce de caju sem açúcar e maracujá com mel. Hummm estava uma delícia!

Comendo comida de restaurante
A certa altura da viagem, soube que não seria possível preparar nosso almoço como de costume. Estava disposta a oferecer à minha filha uma papinha à base de frutas, cereal integral e castanhas, mas antes disso decidi fazer uma tentativa na churrascaria do hotel em que pernoitamos. Sabia que a churrascaria servia arroz integral e algumas opções de legumes. Assim, logo cedo, liguei para lá e pedi para falar com a responsável pela cozinha. Desta vez, nem perguntei sobre os temperos, pois mesmo que usassem apenas temperos naturais, certamente estes seriam fritos. Expliquei a situação e perguntei se seria possível separar um pouco de feijão e arroz integral sem tempero e cozinhar algum legume no vapor para a minha filha. A responsável gentilmente atendeu meu pedido. Na hora do almoço, a comidinha da minha filha estava separada. Temperei a comidinha no prato com sal marinho. Foi a primeira vez que ela comeu comida de restaurante, mas graças a Deus sem nenhum ingrediente nocivo. Deus é bom! Fica aqui a dica para os pais que se encontrarem em situações semelhantes.

Pão missionário
O pão integral que levamos de casa acabou na primeira semana. Assim, tive que colocar a “mão na massa” por três vezes durante a viagem e, graças a Deus, não encontrei obstáculo algum. Todos os gerentes dos hotéis em que precisei fazer o pão foram muito prestativos em liberar a cozinha para mim. Além de liberarem a cozinha, também me emprestaram uma bacia para misturar a massa e as formas para assar o pão. Notei que em todas as viagens que acabo precisando fazer pão na cozinha do hotel, tenho a oportunidade de testemunhar de Deus de alguma forma. Assim, passei a chamá-lo de “pão missionário”.

A primeira fornada de pão missionário dessa viagem foi feita em Linhares, ES. Numa sexta-feira à tarde, fiz os pães no quarto, a pedido da gerência, e os levei para assar na cozinha. A princípio, nada aconteceu. Ao buscar os pães prontos, a auxiliar de cozinha que ficou responsável por retirá-los do forno, perguntou:

– Você é adventista?

Surpresa, respondi:

– Sou sim. Como você adivinhou?

– Ah, pão integral na sexta à tarde tem cara de adventista!

Ri.

– Você conhece a Igreja Adventista? – perguntei.

– Sim. Sou adventista também, mas estou afastada no momento. Tenho muitas saudades da igreja, mas infelizmente não consegui um trabalho em que tivesse o sábado livre.

À partir daí, travamos uma agradável conversa sobre as providências de Deus e a importância de obedecê-Lo apesar das circunstâncias. Disse-lhe que à semelhança do povo de Israel que precisou colocar o pé na água para o mar se abrir, hoje também somos chamados a fazer o mesmo pela fé. Aproveitei e convidei-a para ir comigo à igreja no dia seguinte, já que estaria de folga. Ela respondeu que morava longe da igreja que eu pretendia ir, mas que faria uma visita à igreja que costumava frequentar. Na segunda feira, encontrei-a novamente. Ela tinha ido à igreja naquele sábado e disse que acompanharia a série de pregações “A Grande Esperança” transmitida pela Novo Tempo na ocasião. Que Deus seja louvado pela decisão dessa querida irmã e que o Espírito santo a ajude dar passos de fé firmes ao lado de Cristo!

Já a segunda receita do pão missionário foi preparada em Ubú, ES. A proprietária do hotel não só liberou a cozinha para eu fazer o pão e o que mais precisasse, como também colocou uma funcionária à minha disposição para me auxiliar, já que o hotel estava praticamente vazio. A Dézinha, como é carinhosamente chamada por todos lá, também faz pão em casa, mas com farinha refinada, e ficou muito interessada em aprender a receita do pão 100% integral e da maionese de soja, que aproveitei para fazer também.

Enquanto preparava o pão, tive a oportunidade de falar sobre os benefícios da alimentação saudável na vida de minha família, especialmente de minha filha, que estava ao nosso lado ajudando a fazer o pão! A Dézinha guardou a embalagem da farinha de trigo integral para não errar na hora de comprar uma igual no mercado e preparar pães integrais em casa também. Depois de pronto, ofereci pão e patê para a Dézinha e para a proprietária do hotel experimentarem. Espero que tenham gostado!

Em Fortaleza, CE, preparei o terceiro pão missionário. Como o quarto possuía uma bancada com pia, misturei a massa lá. Por distração de minha parte, coloquei mais água do que necessário e a massa ficou super mole. Orei para que o Senhor me ajudasse a resolver o problema, já que não havia mais farinha e não  tinha condições de sair para comprar mais. Logo me veio à mente colocar farinha de aveia e gérmen de trigo, mas a quantidade que tinha não foi suficiente para dar o ponto. Continuei orando. A impressão que me veio à mente foi fazer bolinhas com a massa em vez de filão, mesmo porque não seria possível com aquela textura. Tinha certeza de que o pão não ficaria bom, mas muito pesado. Mesmo assim, fiz as bolinhas e deixei crescer.

Assim que os pãeszinhos dobraram de volume, levei para assar na cozinha. Ao chegar lá, reconheci a Dona Sônia, a cozinheira que havia me atendido dois anos antes numa situação semelhante. Perguntei se ela se lembrava de mim e quando me viu com os pães na mão, logo recordou, pois naquela ocasião fiz todo o processo ao lado dela na cozinha. Ela gentilmente pegou os pães para assar. Até aí, nada demais. Ao buscar, porém, os pães um pouco mais tarde, apresentei minha filha e ela ficou toda feliz em conhecê-la. Disse-lhe que minha filha só comia aquele tipo de pão, assim como meu esposo e eu, e por isso estava ali novamente. Ao sair, dei-lhe de presente um dos pães (orando para que estivesse bom) e um livreto sobre saúde e princípios bíblicos e agradeci. Reforcei que naquele livreto ela encontraria a razão de minha família comer diferente. Ela aceitou o presente e respondeu:

– Eu li aquele livro que você me deu dois anos atrás (Tempo de Esperança). Gostei muito. Muito bonito. Emprestei para a minha cunhada ler também faz pouco tempo. Vou ler este aqui, com certeza. Muito obrigada e espero vê-la novamente.

Saí dali muito feliz. Tenho o costume de dar livros que tratam da Palavra de Deus sempre que tenho oportunidade, mas raramente fico sabendo se foram lidos e dos resultados. Fiquei mais feliz ainda depois de experimentar os pães. Ficaram simplesmente DELICIOSOS! Ficaram tão gostosos, que só fui lembrar de tirar foto quando já estava na última unidade! Não sei se o calor do Ceará ajudou para que ficassem assim, mas com certeza o Senhor foi o responsável por esse resultado. Espero que a Dona Sônia também tenha gostado do pão, como também da nova leitura, e que o Espírito Santo continue a trabalhar em seu coração.

Do ponto de vista da saúde, agir assim fora de casa pode parecer um exagero, pois uma exceção ou outra talvez não seja tão prejudicial. Considerando, porém, que o cuidado com a saúde é um ato de adoração a Deus, as exceções podem não ser tão nocivas à saúde física em si, mas certamente serão à saúde espiritual. Nesse mundo regido pelo inimigo de Deus, agir corretamente sempre será um desafio, por isso o caminho para o Céu é comparado a um caminho estreito. Para trilhar o caminho estreito, é preciso abrir mão de várias coisas, entre elas, considerando o cuidado com a saúde fora de casa, a comodidade e a praticidade (não tem como competir com a praticidade dos industrializados). No entanto, mesmo sendo o caminho estreito cheio de obstáculos, Jesus está ao nosso lado e com Sua poderosa destra nos guia e nos ajuda a superar os desafios. Que possamos lembrar-nos sempre disso e nunca desistir de trilhar esse caminho que conduz ao Céu – o único lugar em que encontraremos real descanso.

Por Karina Carnassale Deana – Receitas Vegetarianas – Dia a dia

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